Quem está moldando as relações comerciais entre EUA e África do Sul sob Trump e o que isso significa para a sua empresa

As relações entre EUA e África do Sul entram em um período incerto sob Trump. Mapeamos os formuladores de políticas públicas, líderes empresariais e influenciadores que vão moldar o comércio, o investimento e a política externa entre os dois países.

8 min de leitura

Quem está moldando as relações comerciais entre EUA e África do Sul sob Trump e o que isso significa para a sua empresa

O cenário em mudança das relações entre EUA e África do Sul

A relação entre os Estados Unidos e a África do Sul atravessa um período de incerteza. O presidente Trump não só adota uma postura dura em comércio e política externa, como também critica cada vez mais várias políticas internas do país, entre elas as leis fundiárias e as cotas de participação societária de pessoas negras.

Mapeamos os principais atores (formuladores de políticas públicas, líderes empresariais e figuras influentes) e suas posições sobre esses temas, para entender melhor como eles podem influenciar daqui em diante as relações de comércio, investimento e política externa entre os dois países. ‍

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De possíveis restrições comerciais a realinhamentos geopolíticos, os resultados da disputa diplomática atual terão consequências de longo prazo para setores como automotivo, agricultura, mineração, tecnologia e finanças. Mas quem está de fato conduzindo essas decisões? E o que isso significa para a sua empresa?

Este artigo detalha as principais políticas públicas em jogo (internas e bilaterais) e quais stakeholders estão influenciando uma possível mudança nas relações entre EUA e África do Sul.

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As políticas e posições que geram tensão entre os EUA e a África do Sul

Três grandes acontecimentos (de política pública) levaram Trump a endurecer sua visão sobre a África do Sul: a recém-promulgada Lei de Desapropriação (lei fundiária), as exigências de participação societária do B-BBEE (cotas de participação societária de pessoas negras) e a posição do governo Ramaphosa em relações exteriores.

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Lei de Desapropriação da África do Sul: direitos de propriedade e risco para investimentos

O presidente Ramaphosa sancionou a Lei de Desapropriação em 23 de janeiro de 2025, após anos de deliberação. O governo sul-africano ressalta que a lei trata de desigualdades históricas no acesso à terra e prevê "indenização justa e equitativa". Mesmo assim, críticos, incluindo alguns stakeholders dos EUA, manifestaram preocupação com a proteção dos direitos de propriedade. ‍

A lei permite a desapropriação com indenização na maioria dos casos, mas admite "indenização zero" em circunstâncias específicas. Isso motivou contestações judiciais de grupos como a AfriForum e a Aliança Democrática (DA), que entraram com ações no Tribunal Superior do Cabo Ocidental para questionar sua constitucionalidade. ‍

O tema chamou a atenção de Trump já em 2018, quando Tucker Carlson fez uma reportagem sobre ele. Depois da promulgação da lei, Trump reagiu com uma ordem executiva que suspendeu parte da ajuda externa à África do Sul, citando a lei entre outras questões. Elon Musk, aliado próximo do presidente e considerado uma figura-chave de influência, criticou publicamente a lei como "abertamente racista" pelos impactos que vê sobre os direitos de propriedade, em especial dos agricultores brancos. O governo sul-africano sustenta que a lei não tem como alvo nenhum grupo racial.

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Exigências de participação societária do B-BBEE e investimento estrangeiro

A política pública de Empoderamento Econômico Negro de Base Ampla (B-BBEE) da África do Sul, criada para enfrentar as desigualdades econômicas herdadas do apartheid, tornou-se outro ponto de atrito. O marco inclui medidas ligadas a participação societária, controle da gestão e desenvolvimento empresarial, com a exigência de que as empresas tenham pelo menos 30% de participação de pessoas negras. ‍

Essa política pública afetou empresas estrangeiras que querem operar na África do Sul, entre elas a Starlink, de Elon Musk, que contestou a Seção 3(2) da Lei de Comunicações Eletrônicas. O dispositivo exige que os candidatos a licença tenham mais de 30% do capital nas mãos de grupos historicamente desfavorecidos. Ainda assim, a Starlink se retirou das audiências regulatórias em fevereiro de 2025, o que evidencia os desafios impostos por essas regras. ‍

Vários partidos sul-africanos, entre eles a DA, Action SA e Freedom Front Plus (FF+), manifestaram preocupação de que o B-BBEE crie encargos regulatórios capazes de afastar o investimento estrangeiro.

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A guinada geopolítica da África do Sul em direção à China e à Rússia

O fortalecimento dos laços da África do Sul com a China e a Rússia, sobretudo por meio do BRICS, somado ao seu apoio à Palestina e à possível ampliação da capacidade nuclear com propostas do Irã e da Rússia, gerou preocupação em Washington. O presidente Ramaphosa reforçou o compromisso do país com o não alinhamento e a resistência a pressões externas, afirmando a soberania e a autonomia estratégica do país.

‍ Essa postura atraiu críticas do governo Trump. Vários deputados republicanos pediram o afastamento diplomático, citando a suposta "vendeta contra Israel" da África do Sul e suas relações amistosas com a China. ‍ ‍

Incerteza sobre o AGOA: a África do Sul vai perder seus privilégios comerciais?

Com as tensões atuais, o futuro do AGOA está indefinido.

A Lei de Crescimento e Oportunidades para a África (AGOA), que expira em setembro de 2025, tornou-se o principal foco de expectativa. Esse programa de preferências comerciais, que garante acesso ao mercado dos EUA com isenção de tarifas para países elegíveis da África Subsaariana, tem sido crucial para os exportadores sul-africanos.

Vários parlamentares dos EUA pediram a exclusão da África do Sul dos benefícios do AGOA, citando preocupações com os alinhamentos geopolíticos do país. Os senadores Risch e Coons apresentaram em abril de 2024 um projeto bipartidário para renovar o AGOA por 16 anos (até 2041). Em dezembro de 2024, o deputado John James (R-MI) propôs uma extensão de 12 anos. Ainda assim, esses esforços enfrentam obstáculos diante da posição do governo. ‍

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Quem está conduzindo essas decisões? Os principais atores que moldam as relações entre EUA e África do Sul

Entender interesses e pontos de influência é fundamental para avaliar para onde a relação bilateral entre os EUA e a África do Sul pode caminhar. A seguir, detalhamos alguns stakeholders importantes que hoje conduzem as principais narrativas que provavelmente vão moldar uma nova realidade entre os dois países.

Os tomadores de decisão nos EUA

O mapa de stakeholders revela uma rede de influência centrada em várias figuras-chave:

  • Marco Rubio criticou publicamente as políticas de reforma agrária da África do Sul e sua posição sobre Israel, chegando a boicotar o G20 na África do Sul.

Think tanks

  • J. Peter Pham deve ser nomeado secretário de Estado adjunto para a África. Ele traz a experiência do primeiro mandato de Trump, quando foi enviado especial para as regiões do Sahel e dos Grandes Lagos. Pham defende a necessidade de reciprocidade no comércio e já manifestou preocupação com o alinhamento da África do Sul com a China e a Rússia.
  • Tibor Nagy, que foi secretário de Estado adjunto para Assuntos Africanos no primeiro mandato de Trump, tem décadas de experiência nas relações entre os EUA e a África e já discutiu os desafios de competir com a China e a Rússia no continente. ‍

Empresas e suas conexões com think tanks (internacionais)

Já os interesses empresariais são representados por figuras como Florizelle Liser, que lidera o Corporate Council on Africa (CCA) e antes supervisionou a implementação do AGOA, e Witney Schneidman, que sugeriu formas de modernizar o AGOA na renovação.

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Os atores influentes da África do Sul

  • Presidente Cyril Ramaphosa: defende as políticas da África do Sul e a continuidade das relações comerciais.
  • Ministro das Relações Exteriores da África do Sul: atua em esforços diplomáticos para rebater as críticas dos EUA e manter as parcerias comerciais.
  • Organizações empresariais (AmCham, BUSA, CCA): representam interesses corporativos nas negociações comerciais.
  • Partidos de oposição (DA, EFF, AfriForum): adotam posições diferentes sobre as relações com os EUA e influenciam a direção das políticas públicas.

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O que isso significa para a sua empresa: riscos e próximos passos

Para exportadores e empresas que dependem do comércio

Se você depende das preferências do AGOA no comércio entre EUA e África do Sul:

  • Desenvolva planos de contingência para possíveis aumentos de tarifas caso os benefícios do AGOA sejam alterados ou revogados
  • Identifique mercados alternativos ou outras configurações de cadeia de suprimentos
  • Acompanhe a evolução legislativa, em especial as diferentes propostas de renovação do AGOA A solução da TSC ajuda a monitorar em tempo real a evolução dos temas que afetam você. Essa inteligência de mídia é vinculada às informações sobre stakeholders para oferecer um panorama mais completo do cenário.

Como mostra o mapa, as importações automotivas e agrícolas podem ser especialmente vulneráveis a mudanças nas preferências comerciais, já que Trump retrata esses setores como fatores-chave dos desafios econômicos dos EUA.

Para investidores em ativos sul-africanos

Se você tem investimentos na África do Sul ou pensa em investir no país:

  • Faça uma due diligence completa sobre como a Lei de Desapropriação pode afetar seus interesses patrimoniais
  • Avalie os riscos jurídicos e financeiros de investir na África do Sul acompanhando mudanças de políticas públicas e tendências regulatórias.
  • Considere recorrer a associações setoriais como a AmCham, a Business Leadership South Africa (BLSA) e a Business Unity South Africa (BUSA) para representar seus interesses

Para equipes de gestão de riscos e de relações governamentais

O mapa de stakeholders revela várias oportunidades-chave de relacionamento:

  • Voz e influência do setor: empresas sul-africanas e norte-americanas podem defender, com uma "voz comum", a importância das relações comerciais entre EUA e África do Sul por meio de alianças empresariais
  • As conexões da Aliança Democrática: os esforços da DA para esclarecer a posição do governo sul-africano sobre a reforma agrária mostram uma possível disposição de atuar como mediadora-chave
  • Monitoramento em tempo real da evolução do AGOA: diante da possibilidade de mudanças significativas nas preferências comerciais, é essencial manter visibilidade sobre as ações legislativas e executivas

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Como a TSC.ai pode ajudar

A plataforma de inteligência de stakeholders e temas em tempo real da TSC permite que empresas e formuladores de políticas públicas entendam melhor um ambiente externo complexo e volátil. As principais soluções incluem:

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  • Mapeamento de stakeholders: identifique os principais tomadores de decisão e outros atores do mercado e entenda sua influência sobre mudanças de políticas públicas com a base de dados de um milhão de stakeholders da TSC
  • Monitoramento de políticas públicas: monitore a evolução das políticas públicas que afetam seu setor com monitoramento de inteligência de temas e detecção de picos
  • Relacionamento com stakeholders: inteligência de stakeholders para permitir um relacionamento proativo com stakeholders críticos, entendendo os caminhos de relacionamento e aproveitando dados de stakeholders vinculados à mídia externa.

Fale conosco para um briefing sobre como podemos ajudar você.

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