O que você precisa saber sobre o Egito como sede da COP27

A COP27 foi apresentada como a COP africana. Veja por que o Egito foi convidado a sediá-la e o que a cúpula precisava entregar aos países mais atingidos pela mudança climática.

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O que você precisa saber sobre o Egito como sede da COP27

Apesar de contribuírem relativamente pouco para as emissões globais de gases de efeito estufa, os países em desenvolvimento estão entre os mais atingidos, à medida que a mudança climática agrava a insegurança alimentar, a escassez de água e o calor extremo, entre outros problemas. O continente africano é o principal exemplo dessa injustiça e desse desequilíbrio climáticos.

Decidiu-se chamar a Conferência das Partes (COP) deste ano de ‘COP africana’. Sua missão principal é destravar apoio para países que não têm os recursos para se adaptar sozinhos às adversidades da mudança climática. O Egito recebeu a tarefa de sediar o evento. Veja um breve panorama do que você precisa saber sobre o Egito como sede da COP27.

Por que o Egito foi convidado a sediar a COP27?

Seria natural esperar que uma ‘COP africana’ fosse sediada por um país do mesmo continente. Mas por que o Egito? O Egito tem uma responsabilidade e um incentivo específicos para enfrentar e combater as causas e os efeitos da mudança climática no continente:

  • Hoje, o Egito responde por 31% do total de emissões de GEE do Norte da África e por 13% do total de emissões de GEE de todo o continente africano.
  • Estudos revelaram que o Egito e o Oriente Médio estão aquecendo mais rápido que o resto do mundo, com um aumento previsto de 5 °C até o fim do século.
transição para energia verde

O Egito demonstrou estar alinhado à agenda da COP e tem potencial para dar o “exemplo verde” na região:

  • Em mitigação: nas últimas duas décadas, o Egito multiplicou por cinco sua capacidade de energia eólica.
  • Em adaptação: o Egito lançou diversas iniciativas, incluindo a construção de usinas de dessalinização e de infraestrutura contra enchentes para lidar com o agravamento do estresse hídrico.
  • Em financiamento climático: o Egito foi o primeiro governo do Oriente Médio e do Norte da África a emitir títulos verdes, destinando US$ 750 milhões a transporte público limpo e gestão sustentável da água.

Quem lidera a Presidência da COP27

Sediar uma COP anual é uma grande responsabilidade. Também oferece ao anfitrião uma imensa oportunidade de definir a agenda e influenciar posições e interesses. Um comitê superior de coordenação, presidido pelo primeiro-ministro Mostafa Madbouly, foi formado para sediar a próxima conferência climática, a COP27.

infográfico com dados da TSC

O comitê inclui o ministro das Relações Exteriores, Sameh Shoukry, escolhido como presidente designado da COP 27; a ministra do Meio Ambiente, Yasmine Fouad, escolhida como enviada ministerial para a conferência; e diversos representantes de outros ministérios (Ministério das Comunicações e Tecnologia da Informação, Ministério da Eletricidade e Energias Novas e Renováveis, Ministério do Turismo e Antiguidades, Ministério da Saúde e População, Ministério da Aviação Civil, Setor de Segurança Nacional, Ministério dos Transportes, Ministério da Solidariedade Social).

Por que Sharm El-Sheikh foi escolhida para a COP27

Sharm El-Sheikh tem sido a cidade preferida para sediar eventos nacionais e alguns internacionais. Embora essa cidade costeira tenha apenas 53.000 habitantes, há anos é um destino turístico popular no Mar Vermelho. Considerando a infraestrutura e as comodidades de um polo turístico, não surpreende que o governo egípcio tenha decidido sediar “sua” COP em Sharm El-Sheikh.

Outros eventos internacionais realizados recentemente em Sharm El-Sheikh:

a cidade verde do Egito

Sharm El-Sheikh é a “cidade verde” do Egito. Segundo o Ministério do Meio Ambiente do Egito, a cidade hoje depende de meios elétricos e movidos a gás natural, ecologicamente corretos. Ao todo, 35 projetos ecológicos estão em andamento em Sharm El-Sheikh, em cooperação com todos os órgãos competentes do Estado. Alguns deles:

  • Uma usina de células solares com capacidade de 5 megawatts está sendo instalada nos telhados dos prédios do Aeroporto de Sharm El-Sheikh.
  • Um sistema integrado de gestão de resíduos (coleta, separação e reciclagem) está sendo implantado.
  • Mais de 120 dos cerca de 160 hotéis receberam a estrela verde.
  • 60 centros de mergulho receberam o selo verde.

Vozes críticas e preocupadas

Como em toda conferência sobre mudança climática, há diversas vozes de crítica e preocupação. Estes são alguns dos temas levantados sobre a liderança do Egito na COP.

  • A dependência do Egito de combustíveis fósseis pode enfraquecer sua liderança climática na COP27: o Egito ainda depende muito de combustíveis fósseis. Em 2019, o gás natural e outros combustíveis fósseis representavam cerca de 90% de sua capacidade de geração de energia. Na verdade, o Cairo vem buscando aumentar a produção de petróleo e gás natural do país. Também está entre os países de menor renda que defendem o direito de se desenvolver economicamente com combustíveis fósseis até terem condições de fazer a transição para energia limpa.
  • A falta de planos e compromissos do Egito para reduzir emissões: há pouco interesse em reduzir ativamente as emissões. O Cairo atrasou em mais de um ano a atualização de sua contribuição nacionalmente determinada (NDC), segundo o cronograma do Acordo de Paris.
  • A nova NDC do Egito depende de apoio internacional e, como a de muitos outros países, não tem uma meta quantificável para alcançar emissões líquidas zero. O Egito também foi criticado por priorizar a adaptação em vez da redução de emissões em sua Estratégia Nacional de Mudança Climática de 2022.
  • Acusações de greenwashing: o Egito foi acusado de exagerar intencionalmente sua postura ecológica para desviar a atenção de um histórico ruim em direitos humanos. A Anistia Internacional argumenta que o Cairo está usando a cúpula como um “exercício de reposicionamento de imagem” para desviar críticas ao bloqueio de veículos de imprensa independentes e à prisão de milhares de jornalistas, manifestantes e ativistas desde 2013. Embora protestos de rua sejam ilegais, o governo permitirá manifestações em um espaço ao lado da conferência climática.

É improvável que os protestos na COP27 se pareçam com as manifestações de grande repercussão de conferências anteriores. Ainda assim, alguns ativistas egípcios esperam que a atenção maior sobre o Egito leve o governo a afrouxar o controle sobre a sociedade civil.

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