


O Dashboard de Impacto da COVID nos ODS da TSC destaca "Consumo Responsável" e "Poluição Marinha" como o tema emergente mais forte desta semana. Os primeiros lockdowns trouxeram um alívio para o meio ambiente. O ar ficou mais limpo, as emissões mundiais caíram 26% e a biodiversidade prosperou. Mas todo benefício traz um custo. A crise da COVID-19 desencadeou uma pandemia de plástico e deve reverter décadas de avanços contra o uso de plásticos descartáveis no mundo. O que precisa ser feito para voltarmos ao caminho certo, e quem vai nos guiar até lá?

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Plásticos descartáveis: o parceiro-chave da resposta global de saúde e do "novo normal"?
Segundo estatísticas da OMS, o mundo precisa de 89 milhões de máscaras médicas, 76 milhões de luvas de procedimento e 1,6 milhão de óculos de proteção por mês para abastecer os esforços globais de resposta médica à Covid-19. Isso sem contar o uso desses equipamentos pela população em geral. Só no Reino Unido, 1 bilhão de máscaras cirúrgicas foram distribuídas entre fevereiro e abril deste ano. A maior parte desses equipamentos é feita de plástico descartável, um dos principais responsáveis pela poluição global por plástico por não ser reciclável.
Hoje esse tipo de plástico ganha espaço não só no setor médico, mas também em nossas casas. Quando os lockdowns prenderam os clientes à mesa de jantar em casa, os restaurantes recorreram a embalagens plásticas para continuar servindo pratos por meio de serviços de entrega. Os supermercados passaram a embalar pães e itens prontos separadamente, por questões de higiene. O novo padrão do "trabalho em casa" aumentou o lixo doméstico. A economia da quarentena levou mais pessoas a comprar produtos on-line, essenciais ou não, o que gerou mais resíduos de embalagens das entregas.
Justamente quando os consumidores do mundo todo começavam a ter mais consciência dos impactos ambientais dos plásticos descartáveis e a se sentir cada vez mais à vontade com as alternativas mais sustentáveis disponíveis, a pandemia parece ter nos levado de volta à estaca zero. Quem vai assumir a tarefa de nos colocar de novo na direção certa?
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Os fabricantes de plástico são os principais beneficiados pela pandemia. Eles vão fortalecer sua posição depois da COVID?
O plástico descartável passou a ser cada vez mais questionado nos últimos anos, com a maior consciência dos consumidores sobre seu impacto ambiental e regras mais rígidas para sua produção e uso. Mas restaurantes, gigantes do comércio eletrônico e empresas semelhantes compartilham amplamente a percepção de que os plásticos descartáveis são a solução ideal para lidar com volumes cada vez maiores de pedidos e entregas. Eles são baratos e fáceis de encontrar. Alguns acrescentam que esse tipo de embalagem também é vantajoso do ponto de vista da higiene, o que pode ter sido o empurrão final para torná-lo o padrão para muitos durante a pandemia. Com a forte demanda global, a maioria dos fabricantes está aumentando a produção, e alguns registraram alta de até 33% nas vendas no primeiro trimestre deste ano.
Em meio a esta pandemia, talvez tenhamos esquecido que muitas empresas do setor se comprometeram a reduzir o uso de plástico virgem. Elas vão manter suas promessas e priorizar alternativas sustentáveis e recicláveis, ou vão voltar à alternativa barata?
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O afrouxamento dos compromissos e restrições vai reverter a tendência de redução do plástico descartável?
Nos últimos anos, reguladores do mundo todo responderam às preocupações do público com o impacto das embalagens, sobretudo dos plásticos descartáveis. O resultado foi uma onda de regulamentações tratando tanto do impacto ambiental quanto da gestão de resíduos. A pandemia, porém, travou o avanço nessa frente e pode até representar um retrocesso. O Estado de Nova York adiou várias vezes a proibição de sacolas plásticas que entraria em vigor em 1º de março, porque se supõe que as sacolas reutilizáveis são anti-higiênicas e podem contribuir para a propagação da doença se não forem lavadas. Em algumas cidades dos EUA, os programas de reciclagem foram suspensos por não serem considerados serviços essenciais. Regiões da Itália e da Espanha atingidas pelo vírus também interromperam a reciclagem.
As iniciativas voluntárias também tinham ganhado força. Em alguns países, varejistas e supermercados estavam na linha de frente para mudar a percepção dos consumidores, desestimulando o uso de itens descartáveis ou promovendo alternativas a eles. Isso também parece ter se revertido. Nos supermercados do Reino Unido, por exemplo, a cobrança de 5 pence pelas sacolas plásticas foi suspensa para "agilizar as entregas em domicílio e proteger os entregadores de uma possível infecção".
Especialistas afirmam que este é um momento decisivo para reeducar os consumidores sobre a segurança das opções reutilizáveis, agora e depois da COVID. Dada a complexidade da situação, é preciso que uma coalizão intersetorial de stakeholders, formada por governos e autoridades locais, ONGs e empresas do setor, assuma esse papel para que isso aconteça.
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O mapa dos principais defensores que lutam para manter o movimento no caminho certo
Lidar com os debates em torno de um tema como o plástico pode ser uma tarefa difícil, sobretudo hoje. É um assunto que evolui muito rápido e envolve uma rede de stakeholders muito interligada. Essa rede enfrenta muitos riscos e desafios, mas também é fundamental para abrir muitas oportunidades daqui para frente.
A Plataforma de Impacto nos ODS nos alertou sobre alguns dos debates globais em alta nesta semana sobre consumo responsável, poluição marinha e plástico. O software de mapeamento Atium, da TSC, nos permitiu organizar os debates da semana, gerar na hora uma análise automática de sentimento sobre as principais conclusões e iniciativas e identificar a rede interligada de impulsionadores e defensores nesse campo.

- Sierra Club acusa o setor da Big Plastics de racismo ambiental: Hop Hopkins, diretor de Parcerias Estratégicas do Sierra Club, escreveu em seu artigo "Racism Is Killing the Planet" que "as instalações petroquímicas existentes e propostas são casos claros de racismo ambiental em sua pior forma". Ele ressalta que as comunidades desfavorecidas que vivem perto dessas fábricas estão mais sujeitas às consequências mortais da COVID por causa da exposição à poluição do ar por material particulado fino. Ele pede mais escrutínio sobre a chamada Big Plastics, que fez lobby pela flexibilização das proteções ambientais e de sua fiscalização e pediu um socorro financeiro de US$ 1 bilhão. (aqui)
- Sentimento: negativo. Críticas fortes aos fabricantes de produtos químicos e ao governo dos EUA
- Stakeholder em destaque: Sierra Club
- Especialistas pedem alternativas sustentáveis aos equipamentos de proteção descartáveis: a inovação está avançando e oferece, entre outras opções, máscaras biodegradáveis e compostáveis para o setor médico. Especialistas pedem que a população em geral use máscaras de tecido em vez de máscaras cirúrgicas descartáveis. (aqui)
- Sentimento: levemente positivo. Confirma os problemas causados pelos equipamentos de proteção descartáveis, mas destaca a inovação voltada a opções ecológicas para o setor médico e a oferta de alternativas reutilizáveis para a população em geral
- Stakeholders em destaque: Terra Cycle, March for the Ocean
- Varejistas se unem a ONGs para criar uma alternativa sustentável às sacolas plásticas: para reduzir a pegada de plástico de todo o setor de varejo, grandes varejistas como CVS Health, Target e Walmart se uniram à Conservation International e à Ocean Conservancy para criar uma alternativa sustentável às sacolas plásticas.
- Sentimento: positivo
- Stakeholders em destaque: Ocean Conservancy, Conservation International
- Empresas têm a oportunidade de adotar modelos de negócio de reutilização e gerar mais conscientização: uma pesquisa recente da PwC mostra que os consumidores querem que as empresas preservem alguns dos benefícios ambientais inesperados trazidos pelos lockdowns da pandemia. As empresas têm a oportunidade de dialogar com os consumidores sobre a segurança do plástico reutilizável. Tom Szaky, CEO da Loop e da TerraCycle, vem apontando que não há motivo para acreditar que os sistemas descartáveis sejam mais seguros que os reutilizáveis. (aqui)
- Sentimento: positivo. Indica uma tendência positiva na percepção de empresas e consumidores sobre os reutilizáveis e o papel-chave que eles têm a cumprir
- Stakeholders em destaque: Terra Cycle, Closed Loop
- O lobby do American Chemistry Council pela reciclagem levanta questionamentos: o grupo de lobby do setor tem promovido a ampliação, para todo o país, de leis estaduais sobre reciclagem química. Projetos de lei que flexibilizam as regras para instalações de reciclagem química já foram aprovados em oito estados e apresentados em pelo menos mais cinco. “Isso não é reciclagem”, afirmou um comunicado da GAIA. “É uma forma cara e complicada de queimar combustíveis fósseis.” Andrew Neil Rollinson, engenheiro químico e especialista em tecnologias alternativas de conversão térmica que contribuiu com análises para o relatório da GAIA, chamou a reciclagem química de “distração perigosa” em relação a medidas mais eficazes para conter a poluição por plástico, a começar pela proibição do plástico descartável e desnecessário. (aqui)
- Sentimento: negativo. Críticas à reciclagem química como solução proposta pela indústria de combustíveis fósseis
- Stakeholders em destaque: American Chemistry Council, GAIA
- Relatório Breaking the Plastic Wave pede ação imediata e contínua: uma nova análise da Pew Charitable Trusts e da SYSTEMIQ conclui que, sem ação imediata e contínua, o fluxo anual de plástico para o oceano pode quase triplicar até 2040. Mas o estudo também identifica soluções que poderiam reduzir esse volume em mais de 80% com tecnologias disponíveis hoje, se os principais tomadores de decisão estiverem dispostos a fazer mudanças em todo o sistema, incluindo produção, coleta, consumo e descarte ou reciclagem. O relatório conclui que os compromissos atuais de governos e empresas vão reduzir a quantidade de plástico que chega ao oceano em apenas 7% até 2040. (aqui)
- Sentimento: positivo. Forte foco nas soluções tecnológicas e de políticas públicas disponíveis
- Stakeholders em destaque: The Pew Charitable Trust, SYSTEMIQ
- UNCTAD pede regras comerciais eficazes para ajudar a limitar os resíduos (plásticos): segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), regras comerciais eficazes podem ajudar a limitar o volume de resíduos gerado pela resposta à COVID. A UNCTAD pede que governos e empresas identifiquem substitutos para o plástico de origem fóssil, com materiais atóxicos, biodegradáveis ou facilmente recicláveis, como vidro, cerâmica, fibras naturais, papel e papelão. (aqui)
- Sentimento: levemente negativo. Além da proposta de uma solução, destaca a falta de ação dos governos no âmbito comercial
- Stakeholder em destaque: UNCTAD
- Lombard Odier e Plastic Bank firmam parceria para ajudar a reduzir a poluição marinha: o banco privado suíço e a empresa social canadense se uniram para criar uma solução pioneira de apoio à coleta de resíduos plásticos em comunidades carentes e para gerar empregos e valor de longo prazo para os catadores em países em desenvolvimento. (aqui)
- Sentimento: positivo. Destaca uma solução com impacto ambiental e social positivo
- Stakeholders em destaque: Lombard Odier, Plastic Bank
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