A corrupção não é tão ruim na América Latina. Como assim?

Se a pequena corrupção na América Latina for reprimida, milhões de pessoas perderão a renda de que vivem. O argumento incômodo sobre por que a corrupção na região é mais difícil de erradicar do que parece.

A corrupção não é tão ruim na América Latina. Como assim?

A corrupção é um mal comum na América Latina. A região é considerada a mais corrupta, logo atrás da África. Dentro da América Latina, os níveis de corrupção variam muito. O gráfico a seguir mostra os países mais corruptos na parte de baixo. Uruguai e Chile têm corrupção em nível europeu. Já Argentina, Paraguai e República Dominicana são tão corruptos quanto a maioria dos países africanos.

gráfico de dados

Mas é preciso lembrar que a corrupção e a impunidade ajudam muitas pessoas a ganhar a vida. São muitas pessoas que não conseguem entrar no mercado de trabalho formal nem encontrar empregos mais bem pagos e que dependem em grande parte da renda obtida com a corrupção. Por exemplo, no México o salário da polícia é muito baixo. Sem as propinas que recebem, os policiais teriam a renda muito afetada. Considere o outro lado: há muitos vendedores ambulantes ilegais que dependem de subornar burocratas de baixo escalão para vender suas mercadorias. Suponha que a regulação fique mais rígida, com o objetivo de acabar com a pequena corrupção. Todas essas pessoas, em geral pobres, de repente passariam a ter uma renda consideravelmente menor. No exemplo anterior, seriam muito afetados tanto os policiais corruptos mal pagos quanto os trabalhadores informais pobres, sem meios de chegar a empregos formais e bem pagos. A estabilidade estaria ameaçada por todos os lados.

Omar Espejel, especialista em dados da TSC e economista pela Universidade de Londres, apresentou esta pesquisa na conferência Carroll Round, na Universidade de Georgetown. O que ele propõe para lidar com uma situação tão singular quanto a que sua pesquisa identificou?

A pesquisa feita com Viridiana Rios, professora de Harvard, revela que os governos latino-americanos deveriam se concentrar em varrer a escada de cima para baixo. Ou seja, a regulação deveria se voltar para a grande corrupção, que envolve burocratas de alto escalão e grandes empresas ricas. A corrupção que afeta as pessoas mais pobres funciona como uma ajuda para manter a coesão social e níveis mais baixos de pobreza e desigualdade. Por isso, os governos precisam ter muito cuidado ao combatê-la.

Se for para levar uma coisa deste artigo: considere os efeitos de segunda ordem de tudo!

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